sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Eu não sei fazer nada sem me entregar

Cartilhas de condutas de como devemos viver lotam de letras e palavras livros, artigos e postagens em sites como esse.

Na vida amorosa, dois a dois, há quem diga para irmos devagar, sem demonstrar tanto amor assim. No fim do relacionamento a gente acaba se frustrando pois um dos dois sempre ama mais que o outro. Isso pesa o tempo todo, ainda mais quando descobrimos que nós é que fomos o peso desse papel de trouxa que fizemos.

No ambiente corporativo, trabalhe com afinco. Funcionário do mês é aquele que não apenas veste a camisa da empresa, mas a deixa suada e encardida do sangue que doa a instituição.

Pobre proletariado. O manual cheio de definições semânticas e origens de palavras te diz que trabalho vem de “tripalium”, espécie de tortura aplicada a escravos em minas de sal. Daí vem a origem, inclusive do nosso tão suado salário.

Portanto, não se entregue, passe um anti-transpirante em seu labor, e procure se entregar pouco nessas horas de dedicação ao emprego. Deixe de ser prego, e martelo uma ideia em sua cuca: patrão só quer saber de comer seu coro.

Essa é regra que ouço sempre dizer. Só que ninguém me diz onde é que ela está escrita.

E chega hora de me referir ao título desse texto: sou só eu, ou sou o único que não sabe fazer nada sem me entregar?

Quando entro em um relacionamento, amo. Dedico-me. Mesmo assim, não faltou a vez que me frustrei, e foi o fim do amor, por aquela pessoa. Mas não me entreguei, entreguei-me a outra que continuo amando até hoje.

Fui contratado em uma empresa, que me vendeu as mil maravilhas. Como disse um amigo, entregaram-me um frasco de perfume com essência de Endomarketing, e por alguns anos respirei a missão, visão e valores da corporação. Meu corpo e mente estavam impregnados de dedicação em fazer o negócio crescer.

Mas, veio os ventos da crise, soprou todo o aparente perfume e sobrou um mau cheiro que prefiro não descrever os detalhes.

Sobrou-me meus valores, missão e portfólio. Meu trabalho bem feito, que entreguei a avaliadores de diversos Recursos Humanos. RHs, que muito deles, desumanizam processos seletivos, fazendo muitos candidatos se entregarem e desistirem de continuar tentando por uma boa recolocação. Felizmente, esse não foi meu caso. Muito embora, quase me entreguei.

Hoje, entrego minha experiência em constante transformação e evolução a outra empresa e a projetos pessoais como o meu canal no youtube, do qual me dedico a falar do mundo da propaganda, assunto do qual descobri ser um dos motivos que me entrego de cabeça.

O que desejo entregar a quem resolveu entregar seu tempo para ler este meu artigo, e talvez buscar inspiração para não se entregar é: não se entregue, entregue-se.

No amor ou no mundo corporativo, tudo por aquilo que passamos, nos serve de experiências, vivências. A gente só entrega aos outros e para o mundo aquilo que temos em nós mesmos.

Pode até existir quem engane os outros, entregando o que não possui, mas logo as consequências irão entregar quem esta pessoa realmente não é.

Não se engane, existem sim pessoas boas que encontramos no caminho. Verdadeiras em bons sentimentos e ideias, são aqueles que resolvem entregar um pouco de suas experiências, compartilhando inspirações. Quando encontrar com alguém assim, não pense, entregue-se a aprender.

O melhor manual de regras que, porventura, você deveria se entregar a ler, é seu conteúdo de vida, acumulado ao longo das entregas que fazemos. Experiências, vivências...

Seja aquele quem não sabe fazer nada sem se entregar.
Repito, não se entregue, entregue-se sem se estragar.


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